Meu nome é Fábio Damasceno. Sou licenciado em Letras (Português) e especialista em Investigação Literária, ambos pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Na extensão da UFC, cursei Português (Casa de Cultura Portuguesa), Inglês (Casa de Cultura Britânica), Espanhol (Casa de Cultura Hispânica) e Latim (Departamento de Letras Estrangeiras).
Profissionalmente, atuo como tutor de Língua Latina e Filologia Românica (UAB-UFC) desde 2008; como instrutor de Língua Portuguesa (SRH-UFC), leciono também desde 2008; e como revisor de textos acadêmicos, trabalho desde 1998. Sou servidor técnico-administrativo em educação da UFC desde 1994, atualmente lotado na Casa de Cultura Hispânica (CCH). Nesta, promovo, desde 2007, a
Oficina de Latim 1 e a
Oficina de Latim 2 no período de férias (janeiro e julho).
Minha primeira experiência como tutor, como disse acima, ocorreu em 2008. Nos primeiros encontros presenciais, senti-me extremamente motivado. Para os que se dedicam às línguas clássicas (latim e grego) qualquer chance que temos de compartilhar nossos conhecimentos é aproveitada ao máximo - e não são muitas, quando comparadas às existentes para professores de línguas modernas (português, inglês, espanhol).
No início de nossos trabalhos, apresentamo-nos, alunos e tutor, falando um pouco sobre nossa vida pessoal e profissional. Em seguida, procurei saber quais as expectativas dos alunos quanto à disciplina. Depois desse primeiro contato, expliquei um pouco como seria nosso curso: carga horária, ementa, conteúdo programático, prazos para entrega de trabalhos, esclarecimentos sobre número de faltas, presença nos fóruns, dentre outros assuntos.
No transcorrer da disciplina, entretanto, pude perceber que o maior problema a ser enfrentado não estaria relacionado ao latim, mas ao português. Nosso método pressupõe o conhecimento da norma padrão da língua portuguesa. A maioria dos alunos não a domina. Isso se torna mais grave pelo fato de se estar num curso de Letras, com habilitação em português.
Muitos, então, passam a relacionar suas dificuldades quanto à norma culta do português ao idioma latino. Tal fato, acredito, explica um pouco a injusta fama que as disciplinas de Latim I, Latim II e Filologia Românica apresentam entre os alunos - matérias de difícil compreensão. Essa realidade fez com que alguns alunos abandonassem a disciplina antes de seu término. Vale destacar, ainda, que as sessões de chat foram consideradas ineficazes pelos estudantes. Eu concordei com eles. Apesar de termos dividido as turmas em grupos, o diálogo com os alunos foi comprometido pelas peculiaridades da disciplina. Quanto ao resultado final dessa disciplina, houve poucas reprovações. Poucos também foram aprovados com conceito A. A grande maioria obteve conceito B. Isso demonstra, claramente, as dificuldades enfrentadas pelos alunos.
Nas demais turmas que estiveram sob minha responsabilidade, procurei minimizar essa defasagem em língua portuguesa. Passei a disponibilizar alguns materiais didáticos no polo, com o tutor presencial, bem como por meio de indicação de páginas na internet e de cursos de extensão.
Por fim, saliento que, no transcorrer da disciplina, sempre procurava contextualizar as frases e textos a serem traduzidos. Essa contextualização se dava por meio de links (verbetes, reportagens, vídeos, imagens) sobre cultura romana (história, literatura, mitologia). Nessa área, também se percebem carências quanto ao conhecimento enciclopédico dos alunos. Dentro de nossos limites, tentamos, por meio do diálogo, fazer com que os alunos preenchessem essas lacunas em sua formação.
Alguém viveu alguma experiência semelhante a que vivi? Agradeço, antecipadamente, àqueles que queiram compartilhar comigo suas experiências. Certamente, elas me servirão para aperfeiçoar o trabalho que desenvolvo.
Um fraternal abraço a todos.